Depois que uma mulher se torna mãe, o seu maior medo é de
morrer antes de ter cumprido a sua missão em relação ao seu rebento.
Nunca tive medo da morte. Sou tão curiosa em relação ao
“depois” que não consigo ter exatamente ‘medo’ de morrer. Mas, em função dos
filhos, hoje também tenho medo de ir embora antes da hora que considero certa.
Minha apreensão maior é em função das limitações do Carlinhos. O Leo um dia
será independente, sairá da minha asa e ganhará o mundo – se Deus quiser! Mas o
Calico não, ele será meu eterno companheirinho, nunca iremos nos separar, a não
ser quando um de nós dois tiver que dizer adeus.
Pois bem... hoje o meu pequeno Leo, como num passe de
mágica, fez com que este meu medo sumisse, desaparecesse, evaporasse...
À tarde estávamos assistindo ao DVD da festa de um aninho
dele e dez anos do Carlinhos. Comemoramos junto porque achamos que assim seria
muito mais especial, e realmente foi. No início do vídeo aparecem algumas fotos
com frases que contam um pouco da história da minha família: como conhecemos o
Carlinhos, as mudanças que ele promoveu na nossa rotina, a alegria de ter um
filho especial, as grandes conquistas pessoais que tivemos pelo privilégio de
termos ele entre nós... depois a chegada do Leo, as novas mudanças promovidas pelo
segundo filho, a realização de vê-los crescendo juntos, etc etc etc.
Assistindo esta parte DVD, o Leo começou a ‘tremer o
beicinho’. Perguntei se ele estava chorando e ele, contrariado de ter sido
flagrado, saiu correndo, se escondeu atrás do sofá e ficou espiando o restante
do vídeo dali.
Passadas algumas horas, ele me perguntou se quando fosse
adulto iria continuar chorando ou se não choraria mais quando visse a filmagem
da festa. Então eu perguntei o porquê dele ter chorado, se sabia me explicar o
motivo.
Com o queixinho tremendo mais uma vez ele me disse: É porque
eu amo muito o meu irmão.
PUTA QUE PARIU! Aí sou eu que tenho que chorar.
- Papai do Céu, não tenho pressa, mas também não tenho mais
medo. Sei que se minha hora for precoce, o Carlinhos ficará em boas mãos.
Amém!