sábado, 13 de abril de 2013

A nova sala


Esta semana coloquei todos os "móveis" na rua. Expus tudo ao sol.
Com isto, consegui enxergar o que estava tomado pelos cupins.
Aparentemente eram bons móveis, estavam em bom estado e se eu não os tivesse removido talvez jamais saberia que estavam ocos por dentro.
A pintura ainda estava boa, externamente eram perfeitos, mas bastou um toque com mais pressão e... 'crash', lá se foi a fina casca que escondia o enorme vazio interior.
Aqueles que realmente eram bons, fortes e úteis voltaram para a sala de estar. Ganharam mais espaço, lustrei-os com um bom óleo de peroba e hoje brilham ainda mais. Agora há espaço para novos, que criteriosamente irei escolher para completarem a nova atmosfera que ganhou o ambiente.
Já os que não resistiram à ‘pressão’... destes me desfiz. Não lamento tê-los mantido comigo por tanto tempo. Guardo belos retratos que tirei com eles em dias felizes. Talvez, na época, fossem os melhores que eu poderia ter. Mas o tempo passou e, assim como eu, eles também mudaram.
Chamei um caminhão que arrecada donativos e entreguei-os um a um. O que pra mim é obsoleto, certamente para outros será de grande utilidade. Desejo que sejam bem cuidados, valorizados, recebidos com alegria em seus novos lares. Talvez um bom pesticida os revigore e os deixe melhores do que quando os mantive comigo.
Minha nova sala está diferente, sei que levarei um tempo até me acostumar com as novas disposições das peças. O hábito de abrir e fechar a mesma gaveta ainda faz com que em alguns momentos eu me direcione a um armário que não está mais aqui. Mas quando lembro que toda a vez que pegava algo que estava ali era preciso limpar, sinto-me aliviada em saber que não mais terei que afastar as ‘bolinhas’ que se acumulavam dentro dela. Passei muito tempo inutilmente removendo resíduos que se multiplicavam ‘magicamente’ todos os dias. Meu trabalho era patético, quase infantil. Mas era o que eu tinha que fazer. Nunca consegui fingir que não vejo a sujeira.
Tudo agora é mais limpo, mais belo, mais harmonioso.
Certamente não é perfeito.
Nunca será.
Mas assim, como ficou, é muito mais a minha cara.
Talvez algumas visitas não gostem, critiquem o novo estilo, o meu ‘estranho’ desapego a peças que me acompanharam durante tanto tempo.
Caso isto aconteça, sei que sobreviverei. Já fiz outras mudanças com a mesma finalidade e ainda estou aqui.
Afinal, a casa é minha, quem mora aqui sou eu e é a minha alma que ela deve refletir.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Incorrigível Amor


Fazer o que se eu amo com a razão?
Razão que só o coração sabe explicar.

Não amo os belos, os perfeitos, os razoáveis, os óbvios...
Amo os carentes, os indefesos, os difíceis, os esquecidos, os abandonados.

Não amo os que querem,
Amo apenas os que precisam ser amados.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Obrigada por ler!


Não! Eu não gosto da dor. Não gosto de sentir dor e também não gosto de ver ninguém sofrendo por causa dela.
Eu só me mantenho perto da dor para não esquecer que cara ela tem.
Muitos talvez não entendam (e com razão) ou não percebam porque estou sempre a escrever sobre as questões que envolvem a inquietação humana. Em meus textos sempre proponho auto-análise, reflexão, e (quando necessário) mudança – principalmente interior, o que acaba refletindo exteriormente e modificando um pouco de toda a realidade a nossa volta.
Pelo perfil que adotei no meu face (assim como em minha vida real, e isto inclui todos os meus relacionamentos – profissionais, familiares, sociais...) já despertei as mais variadas reações naqueles que me lêem ou que me ouvem.
Alguns me elogiam, outros me contestam, me questionam, confrontam as minhas “teorias” com outras existentes e, às vezes, alguém até me agradece ou me exclui (virtual ou pessoalmente) por ter lido ou ouvido algum dos meus manifestos.
Nem sempre pra mim é fácil lidar com estas reações. Mas eu, assim como qualquer outra pessoa, preciso arcar com o preço de ser quem decidi ser. E pagarei este preço enquanto me for conveniente ou achá-lo razoável em relação aos benefícios que obtenho em também ser quem sou. Como diz Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
Mas voltando às inquietações, aos limites e às angústias sobre as quais estou sempre a abordar, o que precisa ser registrado é que antes de “aconselhar” os outros, tudo o que digo/escrevo diz respeito a mim. Sim! A mim e a todas as minhas inquietações.
Gosto de ler livros de psicologia, de auto-ajuda, de religião (sem restrição a nenhuma) e, com isto aprendo muito. Mas o que retrato em meus textos não são as coisas que aprendo nos livros, e sim a minha própria trajetória, os medos, as frustrações, as decepções e as dores que já senti. Os livros só servem para mim como fonte de compreensão, mas nunca de vivência. E é somente através da vivência que se pode experimentar, de fato, as sensações que a vida pode proporcionar.
Quando eu falo do vício e da dificuldade que alguém tenha em deixá-lo, estou falando da dificuldade que eu mesma tive em deixar o meu. Quando falo do congelamento da iniciativa do outro, estou falando do pânico que eu também senti em experimentar aquela sensação de impotência. Quando me refiro ao medo do enfrentamento da vida, estou falando do meu desespero em não saber o que fazer, como agir, o que pensar e, principalmente, de não saber como sair daquele estado de isolamento emocional que um dia experimentei. Quando falo da ignorância, estou falando da minha própria vergonha em não saber absolutamente nada sobre muitos assuntos que foram discutidos por outras pessoas na minha presença e do quanto isto me colocava numa posição de inferioridade em relação aos “entendidos”. Quando falo da covardia, estou falando de todas as vezes que me encolhi diante de situações que exigiam a minha reação.
Eu não escrevo baseada em histórias que li ou ouvi alguém contar. Eu escrevo com as minhas vísceras, com a minha “mochila” (e toda a sua bagagem) aberta, com a minha história e todo o meu coração. Eu não fico “opinando na vida alheia” do alto de um conhecimento acadêmico, comprovado pela ciência e pelos pesquisadores da fragilidade humana. Quando “sacudo” alguém com palavras, lembro exatamente da espetacular sensação de clareza que senti quando fui “sacudida” por alguém.
Meu tema principal, invariavelmente, sou eu mesma.
Passo adiante (a quem interessar possa) as coisas que aprendi, não com o intuito de “ensinar”, pois sei que isto é impossível. O conhecimento é um processo individual de construção e cada um precisa encontrar e desenvolver o seu. Eu digo o que digo que é pra eu mesma não esquecer. Não incorrer nos mesmos erros, não cair nas mesmas armadilhas, não fraquejar nas mesmas provações, não sucumbir no mesmo ponto do caminho.
Sou frágil, cheia de dúvidas, não sei um monte de coisas, sinto medo, me perco, caio, às vezes me machuco... Mas enquanto eu mantiver em movimento (dividindo) aquilo que já aprendi, não perderei o que já conquistei.
É daqui pra frente!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Seja bem-vindo!


Nunca vou entender os infelizes (ao menos aqueles que se declaram abertamente infelizes) que não procuram a solução de seus conflitos.
Não, não estou julgando. Quem sou eu para isso?
É apenas uma constatação.
Sei que é difícil livrar-se dos vícios, dos traumas, dos padrões de comportamentos que nos acompanham durante praticamente toda uma vida. E enquanto isto não incomoda ou não é percebido conscientemente até entendo que não haja esforço para livrar-se de tudo aquilo que nos aprisiona ao sofrimento. Mas e depois que “cai a ficha”?
Que motivação tão grande é esta que algumas pessoas têm de se auto-boicotarem, afastando-se de tudo aquilo que as faça sentirem-se bem, felizes, em paz... ?
Que falta de força é esta que alegam alguns para manterem-se reféns daquilo que os deprime, os humilha, os diminui perante eles mesmos?
Que falta de gratidão com a vida, desperdiçá-la assim, descaradamente, jogando a toalha antes mesmo do fim do primeiro assalto?
O que significa termos conhecimento da própria tragédia e não termos vontade de estancar o sangramento, cicatrizar a ferida e deixar que a chaga, hoje em carne viva, possa tornar-se apenas uma marca que nos ensinou a sermos melhores, mais fortes, menos vulneráveis?
Que ausência de coragem é esta que justifica a passagem de uma vida inteira sem o grande “dia da virada”?
De que adianta o sol nascer todos os dias se permanecemos trancafiados em um quarto escuro com medo da luz?
Querer sempre foi poder. Sempre será poder.
E o PODER está dentro de cada um de nós.
Dificuldades em encontrá-lo?
Olhe para dentro. Olhe ao redor. Olhe para quem está ao seu lado. Olhe para tudo o que precisa ser feito. Olhe para a frente, demita o medo do cargo da chefia e eleja a auto-confiança, a fé, o otimismo, a perseverança, o otimismo e a gratidão à vida como seus guias.
Abandone-se se necessário for.
Recomece do zero.
Faça tudo de novo. Mas faça!
A vida é o hoje. Ele é, de fato, a única coisa que nos pertence e sobre a qual temos o total domínio.