Não! Eu não gosto da dor. Não gosto de sentir dor e também
não gosto de ver ninguém sofrendo por causa dela.
Eu só me mantenho perto da dor para não esquecer que cara
ela tem.
Muitos talvez não entendam (e com razão) ou não percebam
porque estou sempre a escrever sobre as questões que envolvem a inquietação
humana. Em meus textos sempre proponho auto-análise, reflexão, e (quando
necessário) mudança – principalmente interior, o que acaba refletindo
exteriormente e modificando um pouco de toda a realidade a nossa volta.
Pelo perfil que adotei no meu face (assim como em minha vida
real, e isto inclui todos os meus relacionamentos – profissionais, familiares,
sociais...) já despertei as mais variadas reações naqueles que me lêem ou que
me ouvem.
Alguns me elogiam, outros me contestam, me questionam,
confrontam as minhas “teorias” com outras existentes e, às vezes, alguém até me
agradece ou me exclui (virtual ou pessoalmente) por ter lido ou ouvido algum
dos meus manifestos.
Nem sempre pra mim é fácil lidar com estas reações. Mas eu,
assim como qualquer outra pessoa, preciso arcar com o preço de ser quem decidi
ser. E pagarei este preço enquanto me for conveniente ou achá-lo razoável em
relação aos benefícios que obtenho em também ser quem sou. Como diz Caetano: “Cada
um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
Mas voltando às inquietações, aos limites e às angústias
sobre as quais estou sempre a abordar, o que precisa ser registrado é que antes
de “aconselhar” os outros, tudo o que digo/escrevo diz respeito a mim. Sim! A
mim e a todas as minhas inquietações.
Gosto de ler livros de psicologia, de auto-ajuda, de
religião (sem restrição a nenhuma) e, com isto aprendo muito. Mas o que retrato
em meus textos não são as coisas que aprendo nos livros, e sim a minha própria
trajetória, os medos, as frustrações, as decepções e as dores que já senti. Os
livros só servem para mim como fonte de compreensão, mas nunca de vivência. E é
somente através da vivência que se pode experimentar, de fato, as sensações que
a vida pode proporcionar.
Quando eu falo do vício e da dificuldade que alguém tenha em
deixá-lo, estou falando da dificuldade que eu mesma tive em deixar o meu.
Quando falo do congelamento da iniciativa do outro, estou falando do pânico que
eu também senti em experimentar aquela sensação de impotência. Quando me refiro
ao medo do enfrentamento da vida, estou falando do meu desespero em não saber o
que fazer, como agir, o que pensar e, principalmente, de não saber como sair
daquele estado de isolamento emocional que um dia experimentei. Quando falo da
ignorância, estou falando da minha própria vergonha em não saber absolutamente
nada sobre muitos assuntos que foram discutidos por outras pessoas na minha
presença e do quanto isto me colocava numa posição de inferioridade em relação
aos “entendidos”. Quando falo da covardia, estou falando de todas as vezes que
me encolhi diante de situações que exigiam a minha reação.
Eu não escrevo baseada em histórias que li ou ouvi alguém
contar. Eu escrevo com as minhas vísceras, com a minha “mochila” (e toda a sua
bagagem) aberta, com a minha história e todo o meu coração. Eu não fico
“opinando na vida alheia” do alto de um conhecimento acadêmico, comprovado pela
ciência e pelos pesquisadores da fragilidade humana. Quando “sacudo” alguém com
palavras, lembro exatamente da espetacular sensação de clareza que senti quando
fui “sacudida” por alguém.
Meu tema principal, invariavelmente, sou eu mesma.
Passo adiante (a quem interessar possa) as coisas que
aprendi, não com o intuito de “ensinar”, pois sei que isto é impossível. O
conhecimento é um processo individual de construção e cada um precisa encontrar
e desenvolver o seu. Eu digo o que digo que é pra eu mesma não esquecer. Não
incorrer nos mesmos erros, não cair nas mesmas armadilhas, não fraquejar nas
mesmas provações, não sucumbir no mesmo ponto do caminho.
Sou frágil, cheia de dúvidas, não sei um monte de coisas,
sinto medo, me perco, caio, às vezes me machuco... Mas enquanto eu mantiver em
movimento (dividindo) aquilo que já aprendi, não perderei o que já conquistei.
É daqui pra frente!
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