quinta-feira, 4 de abril de 2013

Obrigada por ler!


Não! Eu não gosto da dor. Não gosto de sentir dor e também não gosto de ver ninguém sofrendo por causa dela.
Eu só me mantenho perto da dor para não esquecer que cara ela tem.
Muitos talvez não entendam (e com razão) ou não percebam porque estou sempre a escrever sobre as questões que envolvem a inquietação humana. Em meus textos sempre proponho auto-análise, reflexão, e (quando necessário) mudança – principalmente interior, o que acaba refletindo exteriormente e modificando um pouco de toda a realidade a nossa volta.
Pelo perfil que adotei no meu face (assim como em minha vida real, e isto inclui todos os meus relacionamentos – profissionais, familiares, sociais...) já despertei as mais variadas reações naqueles que me lêem ou que me ouvem.
Alguns me elogiam, outros me contestam, me questionam, confrontam as minhas “teorias” com outras existentes e, às vezes, alguém até me agradece ou me exclui (virtual ou pessoalmente) por ter lido ou ouvido algum dos meus manifestos.
Nem sempre pra mim é fácil lidar com estas reações. Mas eu, assim como qualquer outra pessoa, preciso arcar com o preço de ser quem decidi ser. E pagarei este preço enquanto me for conveniente ou achá-lo razoável em relação aos benefícios que obtenho em também ser quem sou. Como diz Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
Mas voltando às inquietações, aos limites e às angústias sobre as quais estou sempre a abordar, o que precisa ser registrado é que antes de “aconselhar” os outros, tudo o que digo/escrevo diz respeito a mim. Sim! A mim e a todas as minhas inquietações.
Gosto de ler livros de psicologia, de auto-ajuda, de religião (sem restrição a nenhuma) e, com isto aprendo muito. Mas o que retrato em meus textos não são as coisas que aprendo nos livros, e sim a minha própria trajetória, os medos, as frustrações, as decepções e as dores que já senti. Os livros só servem para mim como fonte de compreensão, mas nunca de vivência. E é somente através da vivência que se pode experimentar, de fato, as sensações que a vida pode proporcionar.
Quando eu falo do vício e da dificuldade que alguém tenha em deixá-lo, estou falando da dificuldade que eu mesma tive em deixar o meu. Quando falo do congelamento da iniciativa do outro, estou falando do pânico que eu também senti em experimentar aquela sensação de impotência. Quando me refiro ao medo do enfrentamento da vida, estou falando do meu desespero em não saber o que fazer, como agir, o que pensar e, principalmente, de não saber como sair daquele estado de isolamento emocional que um dia experimentei. Quando falo da ignorância, estou falando da minha própria vergonha em não saber absolutamente nada sobre muitos assuntos que foram discutidos por outras pessoas na minha presença e do quanto isto me colocava numa posição de inferioridade em relação aos “entendidos”. Quando falo da covardia, estou falando de todas as vezes que me encolhi diante de situações que exigiam a minha reação.
Eu não escrevo baseada em histórias que li ou ouvi alguém contar. Eu escrevo com as minhas vísceras, com a minha “mochila” (e toda a sua bagagem) aberta, com a minha história e todo o meu coração. Eu não fico “opinando na vida alheia” do alto de um conhecimento acadêmico, comprovado pela ciência e pelos pesquisadores da fragilidade humana. Quando “sacudo” alguém com palavras, lembro exatamente da espetacular sensação de clareza que senti quando fui “sacudida” por alguém.
Meu tema principal, invariavelmente, sou eu mesma.
Passo adiante (a quem interessar possa) as coisas que aprendi, não com o intuito de “ensinar”, pois sei que isto é impossível. O conhecimento é um processo individual de construção e cada um precisa encontrar e desenvolver o seu. Eu digo o que digo que é pra eu mesma não esquecer. Não incorrer nos mesmos erros, não cair nas mesmas armadilhas, não fraquejar nas mesmas provações, não sucumbir no mesmo ponto do caminho.
Sou frágil, cheia de dúvidas, não sei um monte de coisas, sinto medo, me perco, caio, às vezes me machuco... Mas enquanto eu mantiver em movimento (dividindo) aquilo que já aprendi, não perderei o que já conquistei.
É daqui pra frente!

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