quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Amor de Casamento

Pertenço à geração dos primeiros filhos de pais separados, não só de fato, mas também legalmente. Porém, ainda sem a “caridosa” lei da pensão alimentícia. (Até se ouvia falar que se a mulher pedisse judicialmente, o ex-marido seria obrigado a contribuir financeiramente para o sustento dos filhos, mas não se sabia exatamente o “caminho das pedras”. Então minha mãe, assim como tantas outras, assumiu sozinha toda a responsabilidade de “mulher separada”.) Minha geração (especialmente nós, hoje mulheres) viveu experiências ímpares que carregamos para a vida toda.
Vimos nossas mães irem à luta, juntarem-se aos cacos de casamentos fracassados, procurarem emprego e sustentarem a família. Assistimos estas guerreiras enfrentarem jornadas duplas de trabalho, ganhando menos que os homens em cargos iguais. Aprendemos a cozinhar, lavar roupa, limpar a casa, cuidar dos irmãos menores enquanto elas tratavam de garantir o pão.
Ali entendemos a necessidade de estudar, de ter uma profissão, de ser “alguém” na vida e não depender de “homem” pra nada. Nos embrutecemos para o amor, deixamos de acreditar no “para sempre” e entendemos que nossa força é a única que nunca poderá nos abandonar.
Ainda assim, queríamos ser amadas, realizar o sonho da princesa que encontra o príncipe encantado, mesmo sabendo que ele não existe.
Perdemos a virgindade antes do casamento, tivemos acesso às drogas, bebemos além da conta... mas a mãe era poupada dos detalhes sórdidos.
Estudamos, algumas de nós tiveram filhos antes da hora, nunca chegaram a casar...
Outras de nós casaram, prometeram a si mesmas não cometer os mesmos erros dos casamentos dos pais. E conseguiram, mas cometeram outros... alguns sobreviveram, outros, a exemplo dos pais, naufragaram. É impossível não cometer erros, ainda mais para nós, a quem a lógica do casamento nunca fez muito sentido. Não entendemos como mulheres maravilhosas como as nossas mães foram deixadas por homens tão medíocres quanto os nossos pais. Qual o modelo a seguir? Como alcançar o sucesso na relação a dois? Inúmeras perguntas para as quais não tínhamos respostas...
Fomos educadas, orientadas, recebemos limites (e quantos...), sabemos fazer tudo o que uma dona de casa deve saber, presenciamos a reinvenção do conceito de família... Mas queremos mais, queremos ter direito à felicidade com ou sem parceiro, não queremos carregar a nostalgia de nossas mães.
Queremos ser livres. Livres dos traumas para vivermos um grande amor.
E mesmo que este amor não seja eterno, que não nos faça amargas, não nos deixe marcas tão profundas que não sejamos mais capazes de amar outra vez.
Queremos um parceiro, não um marido. Queremos cumplicidade, não dependência. Queremos equilíbrio, não submissão. Queremos amor, não só um casamento.

Um comentário:

  1. Desisti do comentario. Pela segunda vez, já estava no final quando fugiu tudo. Talvez num outro momento eu tenha mais sorte. Um beijo, filha.

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