Já é
de domínio público o quanto a sociedade em que vivemos não valoriza os
professores. Que aceitamos isto passivamente, também é fato. Caso não fosse,
todos nós brasileiros reivindicaríamos uma escola melhor não só para nossos
filhos estudarem, mas também para que o profissional mais importante dentre
todos os existentes, o Educador, exercesse seu ofício com plena dignidade.
A reflexão que proponho hoje diz
respeito à questão da disciplina e o delicado papel do professor -
especialmente da escola privada – em aplicá-la de forma eficaz dentro da sala
de aula.
Conversando com uma amiga cujo filho
é colega do meu na escola, fica claro o quanto é importante o papel do professor
na vida de qualquer cidadão. Nossos meninos têm quatro anos, atualmente cursam
a série Jardim B de uma escola privada de médio porte. A escola, bem
conceituada na região, possui uma estrutura que contempla área de esportes,
recreação, laboratórios de informática, ciências, artes, biblioteca, sala de
áudio e vídeo etc. A filosofia de “cidadania atuante” proposta pela instituição
é de fato praticada através dos vários projetos desenvolvidos paralelamente às
atividades curriculares. Tudo planejado, organizado e executado sem grandes
problemas. Mas e os professores?
Há pouco mais de dois meses tive um problema com meu filho
em relação à disciplina exigida pelo professor em sala de aula, ou melhor, a
falta dela. Meu filho é um menino tranqüilo, normalmente cordato e bem educado.
Freqüentemente vinha sendo agredido por outro coleguinha. Procurei me inteirar
da situação, tentei entender o que de fato estava acontecendo, o porquê da
freqüência com que ele vinha sendo atacado pelo colega e obtive então a resposta
aos meus questionamentos: a família do menino estava com problemas. A
informação que recebi da supervisora da escola é que o menino estava em
tratamento e que a família já tinha sido chamada para que tomassem as rédeas da
situação. Procurei ser compreensiva, embora isto seja extremamente difícil pra
uma mãe cujo filho venha sendo agredido gratuitamente, e disse que esperava que
aquilo se resolvesse o quanto antes. Passados alguns dias, o problema
continuava se repetindo. Procurei novamente a supervisão da escola que se
limitou a repetir o mesmo discurso de antes, que o menino estava em tratamento.
Obviamente não pude de minha parte manter a mesma reação. Disse que exigia,
infelizmente, então, que meu filho fosse afastado deste colega, que os dois não
mais brincassem juntos, pois não toleraria mais aquela situação.
Ameacei tirar meu filho da escola, procurar outro colégio
caso o problema não fosse definitivamente resolvido. Orientei meu filho a
afastar-se do menino, apesar de não me sentir confortável em tomar esta
decisão. Mas, como toda a mãe, precisava defender minha cria. Depois desta
conversa em tom mais áspero, o problema finalmente se resolveu.
Pois bem, hoje, minha amiga me
relatou que o mesmo problema está ocorrendo com seu filho. O menino tem vindo
mordido, arranhado, com marcas de agressão feitas por outro colega. A escola
tem se limitado a pedir desculpas. Minha amiga, mãe responsável que é, está
disposta a procurar um psicólogo, pois o filho tem apresentado comportamento de
rebeldia e a professora tem relatado que ele tem resistido às suas determinações,
mesma queixa que ela teve em relação ao meu na época em que estava sendo
agredido sistematicamente pelo colega. Mas então eu pergunto o óbvio: como as
crianças irão obedecer a um professor que não consegue manter a ordem dentro da
sala de aula? Sei que o comportamento dos pequenos em grande parte deve-se aos
exemplos vivenciados no ambiente familiar, mas criança nenhuma respeita um
professor que não tem domínio sobre seu grupo.
Sei que a medida da disciplina, a
dose com que deve ser cobrada dos alunos é uma diretriz que cabe à coordenação
da escola definir, não somente ao professor. Mas dentro da sala de aula ele é a
autoridade máxima. E esta autoridade necessariamente precisa ser exercida, caso
contrário, instaura-se o caos.
Esta ínfima questão, de alunos ainda
tão pequenos, reduzida a uma sala de aula que contempla pouco menos de 20
crianças é realmente insignificante diante todo o caminho que cada aluno deste
grupo irá percorrer em sua trajetória enquanto estudantes. (Será?) Pois penso
que é exatamente nesta preciosa idade, neste pequeno laboratório chamado Jardim
B onde os grandes ensinamentos sobre a vida precisam ser passados.
Atrevo-me a dizer que o professor é
a figura mais importante da sociedade. É ele o multiplicador de idéias, o
organizador do jardim onde cada canteiro receberá mudas que germinarão durante
toda a vida, é ele quem seleciona as sementes, quem prepara a terra e lança sobre
elas o que posteriormente brotará. Se ao invés disto, ele abster-se de sua
missão, todos nós sabemos o que ocorrerá. O mestre tem o poder de potencializar
todos os recursos disponíveis na instituição. A questão é tão relevante que não
poderia, de forma nenhuma, passar despercebida por nenhum pai e nenhuma mãe. Só
para exemplificar o que digo, quando levamos nossos filhos ao pediatra e, por
um motivo qualquer não gostamos do médico, nunca mais retornamos ao consultório
dele. Não titubeamos em procurar outro profissional que nos atenda melhor. No
caso do professor não temos esta opção. Uma vez a turma formada e entregue a
seu mestre, ele a acompanhará por todo um ano letivo. Um ano inteirinho
representando um papel importantíssimo da vida de nossos filhos.
Lembro que na época em que fiz
magistério, minha turma foi a última a ser submetida a uma entrevista de
seleção. Ali nós tínhamos que nos expor, falar um pouco sobre quem éramos,
porque havíamos escolhido o magistério e o que esperávamos desta carreira.
Infelizmente no ano seguinte ao meu ingresso o teste foi abolido. Ou seja, a
partir daquele momento qualquer um que fizesse o curso estaria apto a dar
aulas. Mas será que todos os graduados em licenciatura são realmente Professores?
Será que todos possuem a capacidade de encantar os alunos com os conhecimentos
que precisam transmitir à classe? E quanto ao domínio da turma? A falta de
domínio, em minha opinião, já é um indicativo de que o professor não esteja
conseguindo despertar nos alunos interesse suficiente para mantê-los ocupados
com as tarefas que deveriam executar. Ou talvez se sinta inseguro quanto a sua
autoridade, ou ainda não possua o talento inato presente somente aos
vocacionados a esta sagrada profissão. Disciplina é essencial no processo
educativo, e precisa ser exigida.
Até entendo que para a escola privada o aluno signifique um
cliente pagante, mas a figura do professor deve estar muito acima da cifra que
ele representa. Os alunos precisam perceber que o professor não é a mamãe, que
eventualmente cede a todos os desejos. Que ele é o adulto do bando e que os
limites impostos precisam ser obedecidos. Não sou a favor da palmatória, mas é
preciso no mínimo recorrer à moeda de troca. Se uma criança não apresenta
comportamento adequado é preciso que o professor tome alguma atitude: afastá-la
temporariamente da atividade do grupo, mantê-la fora de alguma brincadeira,
perder algum privilégio que poderia ser concedido... enfim, é preciso que as
crianças entendam que tudo na vida traz conseqüências.
É lógico que caso o comportamento
inadequado persista a família deve ser chamada, orientada, também acompanhada
caso precise de ajuda. Mas um professor, dentro da sala de aula, independe do
pai ou da mãe. Se em casa o filho faz o que quer, na escola precisa ser
diferente. Até para poupar os demais colegas das atitudes descabidas de uma
criança que não conheça limites. É nosso papel como pais exigir isto da escola.
Educação não é só transmissão de conteúdos, provas, boletim. A educação
integral inclui a socialização da criança, a assimilação de regras de convivência,
o preparo interpessoal para toda uma vida.
Nem todos os que hoje estão em sala de aula possuem aptidão
para isto. É papel também dos pais exigir esta habilidade em relação aos
professores, entregar a eles a nossa própria autoridade para que a escola dê
continuidade ao nosso trabalho de educar. Se a criança em casa recebe uma
teoria que não percebe se concretizar na escola, todo o nosso trabalho é
colocado em risco. Não delego à escola o papel de “domesticar” os alunos, mas
vejo que ela é a primeira possibilidade que eles têm de colocar em prática toda
a bagagem que trazem da família.
Professor é muito mais que diploma, é vocação.
Sou professorfora, como sabes, hoje aposentada, sempre tive uma postura muito firme em sala da aula, até pela propria disciplina que ministrava, porem te digo uma coisa, se o professor não tem o apoio da escola(direção) e esta da Sec.de Educ., fica muito difícil um educador cumprir plenamente seu papel. Na escola particular se o professor
ResponderExcluirnão seguir as regras da direção, ele cairá fora da instituição e sabes como é, achar um novo espaço para trabalhar não está fácil. Bjs.