Pra se manter casada às vezes a gente tem que se fazer de
surda, de louca, de boba, de fraca...
Em outros dias é preciso subir no salto, descer o morro,
rodar a baiana.
Às vezes fingir de morta, às vezes pular como um gato.
Há dias de oscilar com a maré, outros de furar a onda.
Inspirar, expirar.
Pirar mesmo, surtar de vez.
Só ouvir, só ouvir...
Sair de cena, mudar o ato, o texto, o contexto.
Pular de galho em galho igual macaco.
Dominar a floresta, enxergar no escuro, perceber o temporal
que se aproxima e procurar abrigo em lugar seguro.
Em outros dias é preciso enfrentar a chuva, ficar
encharcada. Deixar escorrer o caldo preto de toda a sujeira acumulada.
Sacudir o pêlo, secar ao sol, deitar, dormir, sonhar...
Só não dá pra deixar de ser quem a gente é. De que vale o
show se não existir um bom personagem? O grande artista é camaleônico, ele
sempre sabe que “pele” vestir.
Mudar sempre. Sempre acharmos necessário.
Perder a essência... NUNCA!
Por nada, por ninguém.
20/01/2013
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