Um dos maiores lucros que a
maturidade pode nos trazer é a compreensão de que o sofrimento, na maior parte
das vezes, é apenas uma questão de opção. Somente as experimentações da vida
poderão nos proporcionar este entendimento.
Ao analisarmos um contexto de
sofrimento, podemos observar que, em grande parte, os sofrimentos são produtos
de nossas próprias escolhas. Todos sabemos que é preciso fazer escolhas o tempo
todo e a falta de uma reflexão mais profunda acerca destas escolhas, comumente
nos acarreta sofrimentos futuros. Ora, se a causa foram nossas opções
equivocadas, caberá somente a nós o reverso da situação em que nos encontramos.
Seja através de novos critérios de escolha ou na formulação de uma nova postura
diante do contexto em que nos colocamos.
Ademais, os sofrimentos que nos
escapam das mãos, ou seja, aqueles que nos são impostos independente da nossa
vontade ou das nossas escolhas, podemos ainda e em qualquer tempo, ao menos
procurar a minimização do impacto através da aceitação. E analisemos que
aceitação não significa concordância.
Um percentual enorme do sofrimento deve-se ao fato de
negarmos a realidade. Enquanto fazemos isto, nos privamos da possibilidade de
enxergar com clareza aquilo que nos incomoda e, posteriormente a isto, definirmos
qual será a nossa atitude a respeito. Somente uma conscientização da realidade
nos trará a tranqüilidade necessária para visualizarmos nossas possibilidades
de ação ou reação. Ao nos debatemos na tentativa de mascararmos os fatos, eles
tendem a se agravar progressivamente com o passar do tempo.
A aceitação está diretamente ligada
à opção de enfrentarmos a realidade tal como ela se apresenta e, diante desta
constatação da realidade, caberá somente a nós a definição do peso que
atribuiremos a este fato em relação aos demais que nos cercam. Não proponho a
indiferença, mas uma atribuição de valores coerente e que nos cause menos dor.
Pois enquanto passamos por uma determinada dificuldade, paralelamente a isto
sempre existem motivos de alegria e leveza que jamais devemos desprezar, pois
são eles que nos proporcionarão o equilíbrio necessário para não sucumbirmos
diante daquilo que nos desagrada.
Normalmente a potencialização do sofrimento deve-se à
supervalorização do seu fator causador. E o desespero nos cega em relação às
coisas boas que invariavelmente também nos circundam. Tudo está dentro de nós,
basta que busquemos as ferramentas certas e mantenhamos a serenidade.
Caminharmos em companhia das sombras ou da luz é uma opção que cabe
exclusivamente a cada um de nós.
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