sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Adotar faz bem


Muito raramente, não com a frequência que eu gostaria, o Carlinhos aceita ingerir algum alimento via oral.

Mesmo usando sonda há um ano, até hoje eu ofereço refeições para que ele possa sentir o gosto de um docinho ou salgado - tudo em consistência de iogurte, devidamente processado e sem nenhum pedacinho sólido, pra que ele não se engasgue. Claro que não faço isto seguidamente, porque sei o quanto é difícil para ele a função da deglutição. E mesmo sendo raramente, nem sempre ele aceita bem, começa a tossir, demonstra sentir náusea, e então imediatamente eu paro.

Mas hoje ele aceitou bem, comeu purê de batatas com caldo de feijão. Uma quantidade pequena pra um adolescente de 14 anos, depois tive que completar a refeição com meia dose de dieta pela gastrostomia.

Mas é tããããããããããão gratificante vê-lo comendo, que mal posso conter minha alegria. Fico olhando ele comer sorrindo, falando, babando (kkkkk) – tudo junto, ao mesmo tempo. É muito bom vê-lo sentindo prazer em se alimentar, sentir o gosto de alguma coisa que não só o creme dental. Naquele momento esqueço que ele tem uma perfuração na barriga e mato a saudade de quando aquilo não era necessário.

Fico toda boba, vendo a independência que ele tem naquele momento, de poder ele mesmo engolir o que irá para o estômago. Acho o máximo!!!!!

Estes momentos não tem preço, são realmente indescritíveis.

Não sei quando ele aceitará novamente, mas continuarei tentando. Por ele e por mim. Instinto de mãe, certamente. Aquela ‘gana’ que a gente tem de poder alimentar o filho. A psicologia deve ter resposta pra isso. Hehehe

Passado o momento de euforia, fiquei lembrando das campanhas estilo “Adote um bichinho de estimação”, que a gente toda a hora vê na mídia. As exposições de animaizinhos sem pedigree, que esperam um dono ou dona pra finalmente ganhar um lar.

Acho louvável mesmo que movimentos assim sejam feitos. Adoro os bichanos, embora atualmente minha rotina não permita ter um em casa.

Daí fiquei pensando... Porque será que não existem Campanhas de Adoção de Pessoas?

Claro que gente não é bicho, seria ridículo conceber a idéia de exposição de pessoas para adoção...

Mas porque será que o Estado não investe maciçamente nesta idéia? Os abrigos cheios de crianças e adolescentes desejando ardentemente uma chance... e nada.

Sempre que converso sobre adoção com alguém que não tenha tido nenhum tipo de contato com esta realidade, invariavelmente tenho que desmistificar uma série de conceitos, esclarecer as regras do jogo, ignoradas por quase toda a população.

Isto me fez pensar que não existe uma iniciativa de política positiva em relação a este tema.

Lamentável...

Mas eu, de minha parte, deixo aqui o registro da minha singela, porém MARAVILHOSA experiência de vida e o meu incentivo a todos aqueles que tem vontade de adotar uma criança ou um adolescente, negro ou branco, saudável ou portador de alguma deficiência, menino ou menina, sozinho ou pertencente a um grupo de irmãos:

ADOTE UMA PESSOA!

 

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